Notícia
de 19/12/2011
Vinho para muçulmanos
Os puristas recusam que uma bebida feita à base de vinho com meio grau de álcool use a denominação, mas a única empresa nacional que produz vinho sem álcool tem aumentado as vendas e quer exportar para países muçulmanos.


Com uma tradição de 180 anos no sector vinícola, há cerca de dois anos a empresa dirigida por António Soares Franco decidiu apostar numa "oportunidade de mercado". Agora, aos que "ficam horrorizados pelo conceito", responde: "Não fazemos concorrência e não queremos roubar consumidores, mas alargar a base de consumo". Chegar a quem não pode beber álcool, a quem vai conduzir ou a quem quer variar dos refrigerantes é o argumento utilizado. O presidente do conselho de administração da José Maria da Fonseca explica que a actual lei define vinho como uma bebida com um mínimo de sete graus de álcool, mas um despacho governamental possibilitou a comercialização da marca nas vertentes rose e branco. As futuras regras de rotulagem deverão permitir que o produto surja como vinho sem álcool. Com a ajuda da tecnologia, através de um processo mecânico, a empresa espera reduzir o nível de álcool na bebida para 0,05 graus, o que permitirá a exportação para países onde, por motivos religiosos, há proibição do consumo de bebidas alcoólicas. Soares Franco recorda que a Europa produz vinho em excesso e que este produto o reaproveita, evitando o despedido. "Podemos retirar litros ao mercado", assegurou o responsável, que anualmente comercializa em Portugal 150 mil destas garrafas e adianta ter dobrado as vendas em dois anos. Em termos de exportação, está presente em 10 países. Soares Franco admite a sua surpresa, pela positiva, com as vendas no México, onde não havia o conceito.

Fonte: Diário de Noticias